Seguidores, hipocrisia e outras coisas

segunda-feira, 13 de dezembro de 2010 Postado por Lindiberg de Oliveira


Não sou um bom exemplo a ser seguido, admito. Mas também assumo que, admito isso acreditando que no fundo ainda tenho algo de bom para oferecer. Santa hipocrisia!
Sei que soa meio estranho eu dizer isso em um momento onde os sites de relacionamentos estão no auge da interatividade; tem mais status aquele que possui mais seguidor – ou no caso de alguns sites, “amigos”.
Sinto muito, mas, não sou um exemplo a ser seguido, e neste momento retiro deste blog o gadget de seguidores. Entendi que é muita responsabilidade ter seguidores e, o cara que mais sai beneficiado nisso tudo é o meu ego. A partir de hoje me declaro como meu inimigo numero um. Estou enfadado do meu bom mocismo e da minha cara de pau. Como disse meu camarada Paulo Brabo, “tenho vontade de dar porrada no cara que olha pra mim todas as manhãs no espelho”. Ter seguidores me seria uma afronta – e para aliviar, uma chuva de massagens para meu ego. Definitivamente, não sirvo para essas coisas.
Os elogios que me faziam encher o peito, agora me fazem querer chorar. Isso porque minha oratória é excelente quando disserto sobre algum tipo de virtude, e de uma vez por todas, entendo que essas qualidades só distorce a essência da mensagem que eu deveria está transmitindo. Jesus, que viveu a única vida que lhe cabia, não quis seguidores no sentido de servos. Mostrou da maneira mais doce que amigos é o que valia a pena cultivar nessa vida; por isso resolveu chamar de amigos àqueles que se diziam seus servos. Essa atitude inusitada do Rabi de Nazaré foi imitada copiosamente por seus discípulos. Ora, essa imitação não entra somente na dimensão de que devemos repetir suas frases ou atitudes. Isso seria a forma mais básica da expressão imitação de Cristo. Com certeza a imitação de Cristo entra numa importância mais profunda do que nós imaginamos. Carl Jung, que foi um dos pais da psicanalise junto com Freud, escreveu algo tão visceral, que se encacharia muito bem nesse assunto:
Nós, protestantes, teremos mais cedo ou mais tarde de enfrentar a seguinte questão: devemos entender a Imitação de Cristo no sentido de que devemos copiar sua vida e, se é que posso usar essa expressão, simular seus estigmas; ou no sentido mais profundo de que devemos viver nossas próprias vidas de forma tão verdadeira quanto ele viveu a sua em todas as suas implicações? Não é fácil viver uma vida modelada na de Cristo, mas é indizivelmente mais difícil viver nossa própria vida de forma tão verdadeira quanto Cristo viveu a dele.
O que Jung discerniu, e muito bem, é que o único jeito válido de passar pela vida é vivendo-a sem hipocrisia. É desesperador ser você mesmo. A hipocrisia cega, e são poucos que passam pelo crivo da honestidade da consciência individual. Ser o que não somos, mostrar o que não temos, é a coisa mais fácil do mundo. Essa é a falsa devoção que tanto indignou Jesus.
Prostitutas, endemoninhados, ladrões e todo tipo de gente tiveram seu espaço ao lado do Mestre, mas os hipócritas, esses Jesus não tolerava, e, claro, Jesus era intragável pra esse tipo de gente também (Mt 23).

©2010 Lindiberg de Oliveira