Em nome de Jesus

sexta-feira, 13 de novembro de 2009 Postado por Lindiberg de Oliveira
E tudo quanto pedirdes em meu nome, isso farei, a fim de que o Pai seja glorificado no Filho.
Jesus
"É nítido que não significa simplesmente acrescentar a expressão 'em nome de Jesus' depois de cada oração, pois Jesus não disse: "Se pedirem alguma coisa e acrescentarem as palavras 'em nome de Jesus' após a oração, eu o farei". Jesus não está meramente falando de acrescentar determinadas palavras, como se fossem uma espécie de fórmula mágica que daria poder às nossas orações. [...]
Num sentido mais amplo, o "nome" de uma pessoa no mundo antigo representava a própria pessoa e, portanto, a totalidade do seu caráter. Ter "bom nome" (Pv 22,1; Ec 7,1) era ter boa reputação. Assim, o nome de Jesus representa tudo o que ele é, todo o seu caráter. Isso significa que orar "em nome de Jesus" não é só orar com sua autoridade, mas também orar de modo compatível com seu caráter, que verdadeiramente o represente e reflita o seu modo de vida e a sua própria santa vontade. Nesse sentido, orar em nome de Jesus se aproxima da ideia de orar "segundo a sua vontade" (1Jo 5,14-15)."
Teologia Sistemática, de Wayne Grudem

O verso citado acima (João 14.13) é demasiadamente aludido pelos teólogos da prosperidade. Muitos (ou se não todos) chegam a dizer que você terá tudo que pedir, se pedires em nome de Jesus. Não podemos esconder o fato de que Jesus fez declarações veementes a esse respeito, e foram cuidadosamente registradas por seus discípulos (Mateus 21.22, 18.19, Marcos 11.24).
Se há repetidas declarações, por que então existe enorme quantidade de orações não respondidas? Será que falta de fé? Jesus estava blefando? Qual é, portanto, a solução para esse problema de oração não respondida? Primeiro, o fato de um pedido não ser atendido em um passe de mágica, não quer dizer que a oração não foi respondida. Segundo, ao examinar cada um dos contextos entendemos que as declarações de Jesus, tomadas ao pé da letra, são irrealizáveis, de modo que precisamos buscar um significado por trás delas. São irrealizáveis, pois todos nós oramos por pedidos muitas vezes contraditórios, e Deus não pode responder ambos.
Algum tempo atrás estava orando para que Deus me abençoasse com um sim, para que eu fosse selecionado num emprego. O problema é que esse trabalho exigia que eu viajasse constantemente. Ao mesmo tempo minha família orava para que eu não precisasse me ausentar. Uma das orações o Senhor teria que responder com um "não", e evidentemente foi a minha. Em um evento onde igrejas de varias cidades vieram para competir em minha cidade, vários grupos de modalidades diferentes foram formados. Obviamente que todas as equipes oraram para que ganhassem, e logo, todos não poderiam vencer simultaneamente.
Há uma ilustração ainda mais contundente em que o próprio Jesus não recebeu o que pediu em sua oração no Getsêmani – e olha que ele nem precisava orar em nome de Jesus. Ele pediu que se fosse da vontade de Deus, o poupasse do terrível sofrimento que o aguardava (Lc 22.42). Bem, a vontade de Deus era outra e Jesus foi totalmente submisso. Orar “segundo a vontade de Deus” além de ser uma atitude ignorada pelos líderes evangélicos atuais é também compreendido como uma atitude inútil.
Este é um exemplo do pensamento dos líderes evangélicos de hoje:
Usar a frase 'se for da Tua vontade' em oração pode parecer espiritual, e demonstrar atitude piedosa de quem é submisso à vontade do Senhor, mas além de não adiantar nada, destrói a própria oração. R.R. Soares.
Esse é o pensamento daqueles que estão à frente dos evangélicos brasileiros. Destruíram o verdadeiro sentido do que é fé, corrompem o Evangelho com suas paixões pelo controle das massas, e por fim ensinam a dar ordens a Deus como se ele fosse uma empregadinha. Oração não é uma lista de compras, e o nome de Jesus não é uma espécie de “abracadabra” ou “sim-sala-bim”. Oração é um diálogo com o Eterno, uma comunicação onde todas as nossas limitações, deficiências, insuficiências, mediocridade e finitude são expostas diante daquele que conhece nossos pedidos antes mesmo de nós abrirmos a boca. Eis o verdadeiro caráter da oração: a consciência de que não sabemos nem mesmo orar como convêm, necessitando, por isso mesmo, da intercessão do Espírito.
Finalmente, é através do Espírito Santo que chegamos à compreensão de orar “segundo a vontade” de Deus (1Jo 5.14), “esta é a confiança que temos para com ele”. Sempre haverá uma resposta do Altíssimo, quer nos agrade ou não. Talvez a resposta seja um sim, ou um não, ou quem sabe aquele angustiante silêncio, que nos molda, que nos faz sair da zona de conforto. Talvez essa seja a melhor resposta.

©2010 Lindiberg de Oliveira