Estes tempos

quarta-feira, 18 de novembro de 2015 Postado por Lindiberg de Oliveira
São tristes estes tempos em que nós estamos vivendo. Sim, são tempos muito mais perigosos do que aqueles dos nossos antepassados que sofriam a morte em consequência do seu testemunho do Senhor. Poucos acreditarão nas minhas palavras porque a maioria das pessoas olha o exterior, aquilo que é visível. E visto assim, parece que as coisas de fato estão melhores, mais quietas e controladas, do que uns anos atrás. São poucos os que olham o coração e as coisas que são ligadas à alma, que são de maior valor. “O que aproveita ao homem ganhar o mundo inteiro, se perder a sua alma? Ou que dará o homem em troca da sua alma?” (Mateus 16:26).
Estes dias são muito mais perigosos, porque naqueles tempos Satanás vinha abertamente quando o sol estava alto no céu, rugindo como um leão. Era fácil identificá-lo e às vezes até esconder dele. Além disso, seu objetivo principal era de destruir o corpo natural. Mas agora ele se aproxima de noite, ou no crepúsculo do dia. Se apresenta de forma estranha, porém agradável, para espreitar a alma. Sua obra consiste, acima de tudo, em destruir a alma. Sua meta é de pisotear e aniquilar totalmente a única fé cristã verdadeira, para depois destruir o cristão individual, que por causa da sua fé vive separado do mundo (leia Salmo 91:5-6).
Ele agora se apresenta como um anjo de luz (leia 2 Coríntios 11:14-15), como um mensageiro divino, cheio de bondade, de olhar humilde e trajes decentes. Ele mantém uma certa separação das multidões mundanas, procurando dar a aparência dos mártires de outrora. Suas palavras são humildes, trêmulas e cheias de contrição. Parecem ser o fruto de uma profunda meditação e o cuidado de falar apenas a pura verdade.
Mas quando menos se espera, agarra os cordeiros inocentes e os despedaça como um lobo disfarçado de ovelha. Rouba a sua fé preciosa sem a qual é impossível agradar a Deus (leia Hebreus 11:6) e sem a qual, de acordo com as palavras de Cristo, seremos condenados (leia Marcos 16:16), porque segundo o apóstolo Paulo aquilo que não procede da fé é pecado (leia Romanos 14:23).

T.J. van Braght, no prefácio de O espelho dos Mártires (1659).
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