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sábado, 2 de maio de 2009 Postado por Lindiberg de Oliveira
Publicado em 02/05/16
Deparei-me com Mário Ferreira dos Santos logo quando comecei minha graduação em filosofia — mas não foi bem na universidade que tive contato com sua obra — através de alguns fragmentos em pdf. Eram ensaios sobre cultura, religião e história. Fui procurar saber quem era o tal autor e, havia pouca coisa disponível sobre ele. Depois encontrei um link na internet com toda sua obra disponível, bem alí, online; uma produção com mais de dez mil páginas. Como não pode haver quase nada de um autor com uma produção dessa grandeza?
A grande verdade é que Mário Ferreira foi um gênio, um filósofo de primeira grandeza, assim como Platão e Aristóteles. Parece incompreensível que um brasileiro possa ter feito algo de realmente importante e ninguém parece ter se dado conta disso. Nenhum professor que eu tive sabia da existência de Mário Ferreira. Pois bem, conta-se que no tempo que ele ainda era vivo foi levado ao ostracismo por aqueles que se achavam os intelectuais da época. Isso porque para eles, Mário era um bicho muito esquisito, porque ele dialoga com a filosofia de todas as épocas, ele dialoga com Platão cara a cara, com Aristóteles, depois passa para Nietszche, para ele é tudo a mesma coisa. Tanto faz se é de agora ou de dois mil anos atrás. Ele tem uma visão universal da filosofia e não está de maneira alguma preso aos limites do que uma certa época, um certo consenso social toma como se fosse a realidade inteira.
É difícil conviver com alguém assim quando no máximo o que você faz é apenas assimilar o pensamento de filósofos que são a modinha da época — se chegou a isso já é um grande negócio. Mas a questão é, se você sabe muito mais do que os outros, você tem duas alternativas: ou você os trata como crianças e vai tentar ensiná-los, ou você simplesmente se afasta. E o Mário optou pela segunda alternativa. Preferiu não criar polêmica com ninguém, e foi melhor assim, pois se dedicou plenamente as suas atividades.
Filosofia concreta é a base para entender o pensamento de Mário Ferreira dos Santos. Originalmente essa obra era dividida em três volumes. Nesta edição, os três foram reunidos em um só, com mais de 600 páginas. Inclui também um CD com seis palestras. São elas: Filosofia concreta, Mitos fundamentais do pensamento grego, Anarquismo e a filosofia concreta, Neopositivismo e a filosofia concreta, Infinito e Sobre o ser e o nada.

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