Deus é um ser pessoal, o que é isso?

sexta-feira, 19 de março de 2010 Postado por Lindiberg de Oliveira

Várias vezes já ouvi a frase "Deus é um ser pessoal". No entanto, nomenclaturar Deus como pessoa pode ser perigoso. Na teologia Deus é chamado de "pessoa" (persona), ou seja, "personalidade", palavra que tem dado ensejo a muita discussão e controvérsia. Ora, uma "pessoa" é um "individuo" que contém "personalidade", "individualidade", etc., e nesse caso, atribuindo-lhe essas considerações, Deus jamais poderia ser uma pessoa, porque isso seria reduzi-lo a um individuo, fazê-lo finito, limitado, quando Ele na verdade é um ser infinito, ilimitado, e Universal. Nomear, denominar, definir o Ser Infinito seria desinfinitizá-lo, finitizá-lo, privá-lo de sua vasta infinitude e reduzi-lo à angústia da finitude.

Um Deus definido é um não-Deus.

Em quais considerações podemos chamar Deus de "pessoa"? É permissível chamar a Deus pessoa no caso em que tomemos esta palavra como equivalente a "consciente" ou "superconciente", Deus é consciente, logo, a definição mais apropriada para isso seria que, Deus é um ser pessoal.

As filosofias e religiões orientais, em geral, entrando em um absoluto extremo, negam que Deus seja um ser consciente e pessoal. Houve quem daí concluísse que Deus é um ser inconsciente e impessoal, comparando assim as forças da natureza física, eletricidade, luz, magnetismo. Ora, "se assim fosse seria Deus menos perfeito que o homem e outros seres autoconscientes".

Como diz Rohden: "Deus é superconciente", pois, quanto maior for a realidade de um ser, mais consciente será. Deus é a suprema realidade, pois tudo subsiste através dEle, "nele, foram criadas todas as coisas" (Cl 1,16) e "nele vivemos, e nos movemos, e existimos" (At 17.28). Só Deus é "dotado" - se assim podemos dizer - de perfeita consciência, sendo suas criaturas conscientemente imperfeitas. Os anjos estão numa escala de perfeição maior que a dos homens, sendo assim, conscientemente superiores a nós; logo, os homens estão numa escala acima dos animais; os animais acima dos vegetais e os vegetais estão acima dos minerais.

"Quanto maior é a consciência de um ser, maior é a sua perfeição, tanto mais alto estará na escala dos seres. Um ser com consciência zero teria perfeição zero, isto é, não seria um ser real, seria um puro nada. Tal ser evidentemente não existe". Ou seja, um ser com zero de consciência é um ser com zero de existência. Isso implica dizer que, devido as limitações de nossas percepções, consideramos certos seres, por exemplo, os do plano mineral, como totalmente destituído de consciência, como absolutamente inconscientes, o que é um erro. Não existe nenhum ser de todo inconsciente. "Mesmo o elétron, que gira com estupenda velocidade e quase invencível fidelidade ao redor do seu próton, não é de todo inconsciente desse seu centro de gravitação, embora essa consciência seja puramente mecânica".

Deus é a suprema realidade, logo, Ele é um ser de consciência total, e isso é um ser infinito.

Um ser de consciência parcial é um ser finito.

Um ser de absoluta inconsciência é um ser nulo, pura irrealidade.

©2010 Lindiberg de Oliveira

Bibliografia
Rohden, H. (1981). O Pensamento Filosófico Da Antiguidade. Martin Claret.