O Pensamento Filosófico Da Antiguidade - Huberto Rohden

quarta-feira, 24 de fevereiro de 2010 Postado por Lindiberg de Oliveira

Huberto Rohden nasceu na região de Tubarão, hoje São Ludgero, Santa Catarina, Brasil, em 1893. Formou-se em Ciências, Filosofia e Teologia em universidades na Europa - Áustria, Holanda e Itália.
De regresso ao Brasil, trabalhou como professor, conferencista e escritor. Publicou mais 65 obras sobre ciência, filosofia e religião.
Rohden não era filiado a nenhuma igreja ou partido político. De 1945 a 1946 teve uma bolsa de estudos para pesquisas científicas, na Universidade de Princeton, New Jersey, onde conviveu com Albert Einstein e lançou os alicerces para o movimento de âmbito mundial da Filosofia Univérsica, tomando por base do pensamento e da vida humana a constituição do próprio Universo, evidenciando a afinidade entre Matemática, Metafísica e Mística.
Em 1952, fundou em São Paulo a Instituição Cultural e Beneficente Alvorada, onde mantinha cursos permanentes em São Paulo, Rio de Janeiro e Goiânia sobre Filosofia Universica e Filosofia do Evangelho. Em São Paulo foi nomeado professor de Filosofia na Universidade Mackenzie, cargo do qual não tomou posse.
Em 1969, Huberto Rohden empreendeu viagens de estudo e experiência espiritual pela Palestina, Egito, Índia e Nepal, realizando diversas conferências com grupos de iogues na Índia.
Nos últimos anos, Rohden residia na capital de São Paulo, onde permanecia alguns dias da semana escrevendo e reescrevendo seus livros, nos textos definitivos. Costumava passar três dias da semana no ashram, em contato com a natureza, plantando árvores, flores ou trabalhando no seu apiário-modelo. 
Rohden falece à zero hora do dia 08 de outubro de 1981 aos 87 anos, deixando para as gerações futuras, um legado cultural extraordinário e um exemplo de fé e trabalho. Em minha opinião, Rohden não é menos "iluminado" do que os homens o qual ele foi biógrafo, como: Agostinho, Gandhi, Einstein, etc.. Suas ultimas palavras foram: "Eu vim para servi à humanidade".
Meu primeiro contato com Rohden foi com o livro O Sermão Da Montanha, que é um comentário muito inteligente e inspirador do Sermão do Monte (Mateus 5, 6, 7). Como ele traduziu o Novo Testamento diretamente do grego, Rohden vai nos elucidando algumas variações incorretas na tradução de Almeida.
Bem, O Pensamento Filosófico Da Antiguidade, é o primeiro de três livros, dos cursos de Filosofia e Religiões Comparadas, que o autor ministrou na American University de Washington, de 1946 a 1951. O livro é encantador, pois, é basicamente fundamentado na teologia cristã. Não seguindo uma ordem cronológica de fatos e períodos, e sim, uma ordem lógica, pois, este livro não pretende ser um compendio escolar em que se alinhem, numa espécie de corte transversal, dezenas de sistema de pensamento humano, de diversos séculos e países. É antes vertical do que horizontal, expondo a evolução do pensamento humano por afinidade de elementos internos, e não apenas por seqüência externa.
Seguindo uma risca diferente de livros de filosofia tradicional, que basicamente expõe as idéias dos filósofos, o autor, vai colocando em pauta suas opiniões em cada assunto elaborado de forma quase imperceptível e singela, algo que achei bastante ousado. Os assuntos giram essencialmente em torno de uma pessoa, Deus. A metafísica exposta é genial; em questão da criação, da vida, e da verdade.
Lendo a biografia do autor, e durante a leitura do livro, percebe que o Rohden foi bastante influenciado pela filosofia oriental, às vezes se referindo a Deus usando termos como: a Realidade, o Número, a Causa Prima, o Absoluto, o Infinito, o Eterno, o Todo, o Movente Imóvel, a Razão Cósmica, o Lógos, a Alma do Universo, Yahveh (Jehovah), Deus, Theós, Brahman, Luz, Vida, Amor e Pai; nome esses usados por Pitágoras, Platão, Aristóteles, Plotino, Buda e Jesus.
Enfim, apesar de não concordar com algumas ideias de Rohden ainda - e esse ainda, se deve por que não tenho uma opinião formada sobre alguns assuntos abordados -, foi muito edificante e inspirador lê-lo. E, o livro também é recomendável pra quem gosta de apologética, pois, sem querer - penso eu - o autor caminhou também por essa via.

©2011 Lindiberg de Oliveira