Congressos, Marco Feliciano e outras coisas

quinta-feira, 18 de fevereiro de 2010 Postado por Lindiberg de Oliveira

Dias atrás fui convidado para ir à dois congressos das Assembléias de Deus, na capital tocantinense. Em um deles, um dos pregadores era o pastor Marco Feliciano, o qual iria pregar na ultima noite do evento. Como nunca tinha o visto pessoalmente, fomos lá para vê-lo. Isso mesmo, para vê-lo, pois onde Feliciano passa arrasta consigo um show de horrores.

NO segundo dia do evento houve um número de pessoas razoável. O pregador, aliás, não teve pregador, e sim um animador de platéia; não teve pregação, e sim... Não sei nem como chamar aquilo. O pastor parecia um louco histérico com gritos roucos dizendo repetidamente, histericamente, que "Jesus vai voltar" (novidade).

Naquela noite eu já entrei naquele lugar triste, pois parecia mais uma feira que um culto. Tinha alguns jovens distribuindo vários marca-páginas com fotos de políticos desejando boas vindas, e percebi que não eram só jovens, mas as crianças também estavam distribuindo aquelas vaidades. Campanha política dentro dos nossos cultos - se assim podemos chamar aquilo de culto. Aquelas pessoas estavam fazendo tudo, menos cultuando o Cristo (não quero generalizar, pois, sempre almas sinceras nesses ambientes).

No ultimo dia do congresso foi a vez de Marco Feliciano. O ginásio estava lotado apesar da chuva. Todo mundo querendo ver o pregador pop star.

O cara é o pregador pop dos evangélicos. E é assim como as pessoas e como ele se apresenta; em quantos países ele pregou, quantos DVDs gravou, programa de TV para se apresentar etc. Com isso observamos que, o que ele queria de fato conseguiu: ficar famoso. E é inevitável como isso cria uma certa expectativa na massa.

O cara começou a pregar sua teologia da prosperidade tão logo pegou no microfone. Aquela mesma ladainha de sempre; de que o crente tem que ter vida boa, mansão, carro e comer o melhor dessa terra (fácil pra ele falar isso). Prometeu até que, se você tiver fé poderá nascer uma fonte de petróleo em seu quintal (parece piada, eu sei, mas tive que ouvir isto). Mas a fé só se concretizava se você desse tudo que tinha na carteira. Ei, mas quem não tinha dinheiro? Sem problemas, o Feliciano já tinha em mãos a maquina de cartão de créditos. Mas quem não tinha nenhum dos dois? Há, se vira, dá o relógio, a aliança, o cordão o paletó, os sapatos, etc. É incrível como as pessoas se deixam levar pelo emocionalismo conduzido por esses lobos, e com isso Feliciano vai sendo sustentado e seu império crescendo a cada dia.

Em sua pregação, Feliciano repetiu as mesmas coisas registrados em seus DVDs; falando que leu a Bíblia toda pela primeira vez com 9 anos (uma mentira muito mal contada); comentou sobre a morte do seu filho (de novo), falando que era pobrezinho e agora é "ricão", etc.. E o engraçado é que toda vez que ele conta sobre sua vida, ele aumenta alguma coisa. É triste, mas hoje percebo que muitos pregadores usam o púlpito para mentir descaradamente.

Admito, já tive Marco Feliciano como um referência, já fui influenciado pelos seus ensinamentos, já tive vontade de ler Bom dia Espírito Santo, já pulei na Igreja dizendo que era ação do Espírito, Já ensinei "Teologia da Prosperidade", já ofertei pra receber cem vezes mais, etc. Hoje não faço mais isso, mudei minha trajetória. Meus pés caminham para outra direção, e estou em busca de outra espiritualidade, outro Deus nasceu pra mim.

Faço hoje a mesma declaração de Nietzsche: Deus morreu, e vocês, teólogos da prosperidade, o mataram. Sirvo outro Deus agora, diferente do deus das igrejas neopentecostais, que vive incumbido de castigar ou de não proteger aqueles que não dizimam e ofertam. Hoje batalho contra esse sistema teológico satânico, que mais fere e escraviza as pessoas do que as liberta. 


Admito que Feliciano terminou bem sua pregação naquela noite; falando sobre crises existenciais e marcas deixadas em nós por causa de imprudência de irmãos. Mas isso não é o suficiente para cobrir tamanhas fendas deixadas pelas suas pregações e ensinos. Esse vídeo logo abaixo é um exemplo:



Como pode um pastor que diz ter lido a Bíblia 16 vezes falar que somos prosperidade de Deus aqui na terra? Se somos prosperidade de Deus aqui, qual a razão de dizimar e ofertar para ser próspero? Que Bíblia é essa que Feliciano leu?

Você está querendo dizer que, como Jesus exigiu um jumentinho zero km, eu também devo exigir um jumentinho? Ou agora devo exigir uma Ferrari 0 Km?

Da onde é que você tirou que Deus apostou as fichas dele em alguém? Que Deus soberano é esse que precisa apostar suas fichas?

"Não importa o que o diabo levou, Deus dará em dobro?" Como será "o dobro" para àquele(a) de quem o diabo levou o esposo(a)? (se é que foi o diabo...) Deus vai dar esposo em dobro também?

Ainda bem que você disse: "Acredite nas coisas que a Bíblia diz". Mas, espera ai! Se eu acreditar na Bíblia vou ter que duvidar praticamente de tudo que você ensina. Não só duvidar, mas rejeitar, desprezar e lançar fora cada vírgula.


©2010 Lindiberg de Oliveira